14.2.11

Caio Fernando Abreu


[...]

"Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem. Eu não preciso de muito. Eu não quero muito. Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde.Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais."

10.2.11

Papel Antigo

Tai.

[ ... ]
Encontrei-te em antigos papéis.
Ensinamentos antigos. Palavras partilhadas e sentimentos cúmplices.
Encontrei-te aí.
E em mais lado nenhum.
Em mais lado nenhum.
E sinto-te assim.
Como um papel antigo.
Guardado numa gaveta, com o qual me cruzo por acaso.
Agora, neste instantes, estava a fazer planos.
Como um papel antigo.
Para descobrir de vez em quando.
E mais nada.

Deixo-te Fernando Namora, para que entendas:

"Fora de ti há o mundo/ e nele há tudo que em ti não cabe."

7.2.11

Martha Medeiros


[...]
Beije-me as coxas
pálpebras, dedos, lóbulos
os dois.
Beije-me os seios
um e outro, que são ciumentos
ambos.
Beije-me os lábios
superior e inferior
os grandes e os pequenos
todos.

27.1.11

Versos que saem da Boca de Ney ...

"A tua boca anda oca
Da minha língua

da minha língua

A minha língua anda à míngua
Sem tua boca

sem tua boca
Exatos são os teus olhos que invadem
E me revelam teu coração
Exata é a cor do teu deserto
A dor do teu deserto
Exatos são teus beijos que me acertam
E a ti revelam meu coração
Exata é a cor do teu desejo
A dor do teu desejo"

Terceira Pessoa

Tai.


[...]

"Tenho versos  em Aliteração  no  meu corpo .
Rabiscos seus na minha pele,
Cheiro de flor nos meus cabelos,
Vontade que não se despede .
Tenho um desejo de  me perder na sua figura de linguagem e mais tarde encontrar  à cor no seu sorriso"

11.1.11

Poema dadaísta

Tai.



Sentidos É Paralelepípedo Gostos e Leituras
desgosto um pouco de tudo "Doces"
lembranças Do velho Mais que trabalho E isso é Barcelona
Tempo Será? Sonhos de Mundos Cansado
e seus afins
Charles Schulz é o cara
E o que aprendemos com isso? Sabores

[...]

Recortes palvras aleatórias, coloque tudo em um saco
e retire uma a  uma...Experimente pode ser revelador

daquele que revela bem mais que a dor !

 

Manifesto dadaísta de: TRISTAN TZARA

''Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípios contra manifestos (...). Eu redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente, numa única fresca respiração; sou contra a ação pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem para nem contra e não explico por que odeio o bom-senso."
Dada não significa nada: Sabe-se pelos jornais que os negros Krou denominam a cauda da vaca santa: Dada. O cubo é a mãe em certa região da Itália: Dada. Um cavalo de madeira, a ama-de-leite, dupla afirmação em russo e em romeno: Dada. Sábios jornalistas viram nela uma arte para os bebês, outros jesus chamando criancinhas do dia, o retorno a primitivismo seco e barulhento, barulhento e monótono. Não se constrói a sensibilidade sobre uma palavra; toda a construção converge para a perfeição que aborrece, a idéia estagnante de um pântano dourado, relativo ao produto humano.A obra de arte não deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta".

.
Tai.



[...]

"Rubem Alves entre tantas outras coisas disse que: - A saudade não deseja ir para a frente. Ela deseja voltar.E dentro de mim mora uma  S-a-u-d-a-d-e  que deseja o retorno.Uma nova[velha] vontade  de voltar a ser o que eu era antes de me deparar com tais pupilas pequenas que compunham no pretérito imperfeito um outro cenário junto com aquele par de pintas ."

9.12.10

O Fim que anuncia o começo .

Tai.







[...]

Em Lá menor e em ritmo de samba,
Digo que alguém se instalou aqui,
Empobreceu o meu português já  ruim,
Mas enriqueceu com suas cores o que se passa em mim.

E desde então, resolvi acatar Carpinejar
Que disse dia desses me olhando nos olhos em entrevista de Têvê :
- Que se o seu leitor deixar os poemas para olhar  à própria vida, vai ter valido a pena!
Então, não vou mais falar do amor ou da dor,
vou viver o amor, Viver de amor;
Vou mudar de ares,de casa,de cidade.

E assim proclamo  com  a morte* de um Blog( por que aqui ja foi de outro e não do novo ) um  renascer em mim.
Quero a Sua companhia,
Que me perdoem os grandes escritores...
Não quero um amor de livro ,Não quero literatura,  
Quero um amor vivo independente de quanto dura.

Vou voltar às cartas , ao íntimo
Aos bilhetes debaixo do travesseiro.
Quero um amor por inteiro ,
Chega de palavras ,quero música e ação,
Hoje tenho pressa da lentidão
E é com tudo isso eu digo que doei o meu Coração .
me abençoe...

Saravá meu pai Oxalá , Saravá !

.

* Morte =  tranformar, transmutar .

8.12.10

Dois Olhos negros.

Tai.




"Meus desejos têm cor,
Tem pele branca,
Dois olhos negros,
Tem cheiro doce,
e um ar devorador ...
tem Dom de amor
tem vermelho nos dedos
tem Gosto de Flor !"
[...]

6.12.10

Entre Aspas

[...]

As pessoas quando gostam, precisam de se tocar.
Ouvi, interiorizei, e pareceu-me uma boa frase.

As relações ditas Humanas...

.

"Foram tantas brincadeiras, tantas conversas, tantas risadas e olhe agora. Nem conversamos mais."


[...]

Vou discorrer sobre isto e aquilo depois.
Bem depois , provavelmente em um outro dia.

5.12.10

Mais de Caio

Caio Fernando Abreu


"O tempo não se encarrega de matar desejos, apenas de substituir os personagens..."

4.12.10

DIVAGANDO

Tai.


[...]

"Vem de longe, mas não se  sabe nem à que veio.
O porque lhe remete ao passado...
tem a visão embaçada,
como aquela janela naquele último dia de chuva

olha de baixo para cima
olha de cima  para baixo
somente olha
desta vez de Frente
devora...
e repetidas vezes depois ,devolve com  o seu jeito."

3.12.10

Rabisos

[ Caio Fernando Abreu ]





"Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo..."


.